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A Sra. D. Albertina Berta

Lima Barreto (1881–1922)

Contos7 min de leitura6 páginas

O começo

A Sra. D. Albertina Berta é um dos mais perturbadores temperamentos literários que, de uns tempos a esta parte, têm aparecido entre nós.

Muito inteligente, muito ilustrada mesmo, pelo seu nascimento e educação, desconhecendo do edifício da vida muitos dos seus vários andares de misérias, sonhos e angústias, a autora do Exaltação com auxílio de leituras de poetas e filósofos, construiu um castelo de encantos, para seu uso e gozo, movendo-se nele soberanamente, sem ver os criados, as aias, os pajens e os guardas.

Do alto do seu castelo, ela percebe as casas dos peões e homens darmas, lá embaixo, rasas com o solo, e só a flecha da igreja do burgo se ergue um pouco acima dele. Ela não lhe adivinha os obscuros alicerces robustos.

Quando li o seu romance, lembrei-me do drama que a milhardária americana Clarence Mackay leu a Jules Huret, quando ele andou em alta reportagem pelos Estados Unidos. Mme. Clarence era casada com o rei dos telégrafos americanos, que lá não são ou não eram monopólio do Estado. O drama da rainha dos cabos fazia apologia do amor livre, do "amor integral", sobre o amor platônico.

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