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Os Próprios Nacionais

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio2 min de leitura2 páginas

O começo

Não sei há quantos anos ouço falar nessa questão de próprios nacionais ocupados indevidamente por particulares.

De onde em onde, um paredro lembra na Câmara ou no Senado um alvitre para acabar com semelhante abuso; mas a coisa continua como dantes.

O maior escândalo dessa ocupação indébita foi dado pelo senhor barão do Rio Branco que, sem lei, autorização, artigo de regulamento, transformou o palácio do Itamarati em sua residência. Ninguém nada disse, porque o senhor Rio Branco podia perpetrar todos os abusos, todas as violações da lei, impunemente.

Guizot, Soult e Wellington, foram ministros de Estado em suas respectivas pátrias e nunca se arrogaram o direito de fazer o que entendessem.

Rio Branco, que, apesar dos seus grandes serviços, não tinha absolutamente o valor desses homens, começou por deso­bedecer à Constituição, não apresentando os relatórios anuais, transformando um edifício público em sua residência, nomeava para os lugares de seu ministério quem entendia, sem obe­descer os artigos da lei, e acabou criando essa excrescência, essa inutilidade que é o lugar de subsecretário das Relações Exteriores.

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