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O Segredo do Bonzo

Machado de Assis (1839–1908)

Contos14 min de leitura12 páginas

O começo

Atrás deixei narrado o que se passou nesta cidade Fuchéu, capital do reino de Bungo, com o padre­mestre Francisco, e de como el­rei se houve com o Fucarandono e outros bonzos, que tiveram por acertado disputar ao padre as primazias da nossa santa religião. Agora direi de uma doutrina não menos curiosa que saudável ao espírito, e digna de ser divulgada a todas as repúblicas da cristandade.

Um dia, andando a passeio com Diogo Meireles, nesta mesma cidade Fuchéu, naquele ano de 1552, sucedeu deparar­se­nos um ajuntamento de povo, à esquina de uma rua, em torno a um homem da terra, que discorria com grande abundância de gestos e vozes. O povo, segundo o esmo mais baixo, seria passante de cem pessoas, varões somente, e todos embasbacados. Diogo Meireles, que melhor conhecia a língua da terra, pois ali estivera muitos meses, quando andou com bandeira de veniaga (agora ocupava­se no exercício da medicina, que estudara convenientemente, e em que era exímio) ia­me repetindo pelo nosso idioma o que ouvia ao orador, e que, em resumo, era o seguinte: ­ Que ele não queria outra coisa…

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