O Segredo do Bonzo
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Atrás deixei narrado o que se passou nesta cidade Fuchéu, capital do reino de Bungo, com o padremestre Francisco, e de como elrei se houve com o Fucarandono e outros bonzos, que tiveram por acertado disputar ao padre as primazias da nossa santa religião. Agora direi de uma doutrina não menos curiosa que saudável ao espírito, e digna de ser divulgada a todas as repúblicas da cristandade.
Um dia, andando a passeio com Diogo Meireles, nesta mesma cidade Fuchéu, naquele ano de 1552, sucedeu depararsenos um ajuntamento de povo, à esquina de uma rua, em torno a um homem da terra, que discorria com grande abundância de gestos e vozes. O povo, segundo o esmo mais baixo, seria passante de cem pessoas, varões somente, e todos embasbacados. Diogo Meireles, que melhor conhecia a língua da terra, pois ali estivera muitos meses, quando andou com bandeira de veniaga (agora ocupavase no exercício da medicina, que estudara convenientemente, e em que era exímio) iame repetindo pelo nosso idioma o que ouvia ao orador, e que, em resumo, era o seguinte: Que ele não queria outra coisa…
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