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Capa de Aspiração (Machado de Assis, 1864)

Aspiração (Machado de Assis, 1864)

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Qu'aperçois-tu, mon ame? Au fond, n'est-ce-pas Dieu? / Tu vas à lui….…. / V. de Laprade.

Sinto que há na minh'alma um vácuo imenso e fundo, / E desta meia morte o frio olhar do mundo / Não vê o que há de triste e de real em mim; / Muita voz, ó poeta, a dor é casta assim; / Refolha-se, não diz no rosto o que ela é,

E nem que o revelasse, o vulgo não põe fé / Nas tristes comoções da verde mocidade, / E responde sorrindo à cruel realidade.

Não assim tu, ó alma, ó coração amigo; / Nú, como a consciência, abro-me aqui contigo; / Tu que corres, como eu, na vereda fatal / Em busca do mesmo alvo e do mesmo ideal. / Deixemos que ela ria, a turba ignara e vã; / Nossas almas a sós, como irmã junto a irmã, / Em santa comunhão, sem carcere, sem veus, / Conversarão no espaço e mais perto de Deus.

Deus quando abre ao poeta as portas desta vida / Não lhe depara o gozo e a gloria apetecida; / Tarja de luto a folha em que lhe deixa escritas / A suprema saudade e as dores infinitas. / Alma errante e perdida em um fatal desterro, / Neste primeiro e fundo e triste limbo do erro, / Chora a pátria celeste, o foco, o centro, a luz, / Onde o anjo da morte, ou da vida, o conduz / No dia festival do grande livramento; / Antes disso, a tristeza, o sombrio tormento, / O torvo azar, e mais, a torva solidão,

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