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Urbanismo e Roceirismo

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio4 min de leitura4 páginas

O começo

Acabo de ler o novo livro do Sr. Mário Sete - Senhora de Engenho - autor pernambucano muito justamente apreciado, que, nele, sob a forma de romance, muito legitimamente e brilhantemente explana e discute essa questão de urbanismo que os nossos autorizados sociólogos práticos têm posto e semeado pelos jornais em fora.

Não há doutrinação alguma, mas mesmo pelo fato de ser assim, isto é, procurar ele demonstrar pela ficção e com auxílio dos recursos da novela a necessidade, de abandonarmos a cidade pela roça, não deixa a obra de sugerir comentários que me parecem oportunos.

É vezo hoje dos nossos economistas, políticos e outra espécie de gente que está, depois de Deus, encarregada de dirigir os nossos destinos, aconselhar aos que se queixam das duras condições da vida nas cidades:

— Vão para a lavoura!

O mirabolante aritmético Cincinato assim fala; e o Sr. Veiga Miranda, há bem pouco, fez a estatística da necessidade de braços nas fazendas paulistas e repetiu o conceito do seu colega de bancada.

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