O Canto do Nauta!
O começo
NO ALBUM DO / Illm.º Sr. C. J. M.
De pé, só, e sobranceiro, / Em fraco, débil madeiro, / Contemplo águas sem fim: / Miro nos céus as estrelas, / Tão brilhantes e tão belias, / Qual resplandecente rubim.
Livre sou, navego altivo, / Sempre atento, e nunca esquivo / Ás fúrias do vendaval; / E na imensidão destes mares / Ás vezes tenho pesares, / Saudades de Portugal!
Gosto de um céu mui puro / Ou do vento às vezes duro / No seu forte sibillar; / Quando as vagas espumantes, / Raivosas e fumegantes / Vão ao longe rebramar.
E em seguida a tempestade / Diviso com potestade / Retumbar em escarcéus; / E apóz do mar as águas / Em feras — horridas fraguas / Rasgarem nuvens dos céus!
Então lanço mão do leme, / E com coração que não teme / Do forte bramir do mar; — / Escuto a voz da verdade — / Do meu Deos a Magestade, / E vou sempre a caminhar.
Rinzo as velas; — e se o vento / Cada vez maior tormento / Raivoso me quer soprar; / Reservado, e sempre crente / Espero que brevemente / Suas fúrias vem findar.
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