Sois Bela na Verdade, Mas Quanto É Falso
O começo
Na taça onde cuidei sorver doçuras, / Libei por mãos da ingrata, o fel da morte!… / João de Lemos.
Sois bela na verdade, mas quanto é falso / Vosso olhar, vosso gesto e coração! / Porque de amor fazeis nutrir esp’ranças / Quando a ninguém amaes? — Porque dolosa
Fingis doce sorrir, — meiga soltaes / Essa voz, cujos sons me vibram na alma?! / Que destino cruel em vós fadou, / Com tais encantos, alma já sem brilho! / Oh! — Porque assim, a mascara infernal / Com que tanta torpeza encobrieis, / Tão cedo ante mim a arremessastes? — / — Os extremos damor que não sentistes, / As juras vãs que nunca me guardastes, / E que os vossos lábios gota a gota / Sobre o meu coração cair fizeram, / Hoje em desprezo e ódio se tornaram! / — Pérfida! Quão fallaz, traidora heis sido / Para quem tanto amor vos outorgára!! / — Olvidae o passado, eu vo-lo rogo, / E agora atenta ouvi, do crime vosso, / Sua negra relação, seu fim nefasto! —
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