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História Macabra

Lima Barreto (1881–1922)

História2 min de leitura2 páginas

O começo

Logo que soube da morte de meu amigo Florêncio da Costa, tratei de habilitar-me a ir ao seu enterro. Florêncio morava no Engenho Novo e o seu enterramento seria feito no cemitério de Inhaúma.

Ajustei bem no corpo a minha melhor roupa preta e se­gui para a residência do falecido amigo, cheio de compunção.

Dei os pêsames de praxe à família, notei bem a desolação da mulher e saí a alugar na redondeza uma meia-caleça dessas lamentavelmente tristes que acompanham os nossos en­terros.

Conhecia mal os subúrbios de modo que não adivinhei os tormentos por que ia passar e também o meu amigo morto.

Na hora aprazada, por entre prantos e ataques, com a assistência curiosa da vizinhança, o caixão foi saindo, acompanhado das grinaldas que amigos carregavam. As inscrições nas fitas das coroas eram longas e, em uma delas, pude ler: "Ao competentíssimo chefe de seção da Repartição de Terras, Mangues,Pauis e Atoleiros, os seus colegas da mesma - Rio, 6-5-14".

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