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Esfinge (Coelho Neto)

Coelho Neto (?–1934)

Direito3 h de leitura161 páginas

O começo — I

A pensão Barkley, na rua do Paysandú, tinha a celebridade honesta de um lar de família.

Discreta, sem reclamo algum, nem sequer uma placa no portal de granito, confortavelmente instalada em um prédio antigo e vasto, parecia dormir um sono de encanto à sombra do arvoredo, no fundo do jardim, onde una cascatinha, de pedrouço e rocalha, alegrava o silencio com um leve, perene e fresco murmúrio dágua.

Caramancheis copados de jasmins e de rosas cercavam refugios apraziveis e as camaxirras, attrahidas pela quietação, teciam, com segurança, nos ramos musgosos, nas sebes de acalypha ou de cedro os seus ninhos a que Miss Barkley, todas as manhans, à hora do pão, já espartilhada e com toda a casa em regime, dava uma lenta vista de olhos, como se considerasse aquelas frágeis alcôfas de palha e plumas aposentos, também sujeitos à sua vigilância. Além do prédio, ao fim de uma alea de acácias, havia um chaletsinho que a inglesa, com o seu gosto sóbrio e o seu meticuloso asseio, atapetára, mobilára e empannára para Frederico Brandt, professor de piano, critico musical e compositor exímio.

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