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A Conquista

Coelho Neto (?–1934)

Direito6 h 50 de leitura365 páginas

O começo — I

A manhã tépida, rosada e ressoante — porque os sinos badalavam festivamente em todos os campanários iluminados pelo sol magnífico dum sábado de verão — tinha para Anselmo um encanto novo. Seus vivíssimos olhos pardos, fulgurantes como os dos tigres, filtravam, através das lentes do pince-nez, a alegria, toda espiritual, que lhe ia na alma. Errando pelo céu muito azul, repousando na copa frondosa das árvores do parque onde cantavam, à compita, cigarras e passarinhos, deslizando pela verdura macia dos tabuleiros, boiando nas águas quietas, lisas, espelhentas dos lagos, raro em raro frisadas pelas palmouras dum cisne, que ia airosamente da margem à ilha, tão sereno como se vogasse ao som da…

Que lhe importava o esplendor da manhã se outro maior lhe estava reservado além daquelas grades, num retiro maravilhoso de Arte, povoado de mármores divinos, como um templo?

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