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O Edifício da Cruz Vermelha

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio6 min de leitura5 páginas

O começo

Nos últimos dias do mês passado, o Rio-Jornal deu-nos uma larga notícia sobre as coisas da Cruz Vermelha Brasileira. O começo da notícia é tão de lamúrias a ponto de pro­vocar lágrimas.

Diz e repete que essa sociedade humanitária "vive esque­cida, cinicamente alimentada pelo entusiasmo inarrefecível de diminuto grupo de patrícios, utopistas na condenação injustifi­cável de indivíduos acanhados no seu modo de ver.

"Ignorada, trabalhando em silêncio e cônscia de sua modéstia, pelo criminoso descaso que lhe votam os responsáveis, os espetaculosos promotores de festas de caridade em benefício dos infelizes europeus e quiçá a população em geral, ela, no cenário da vida da cidade, só surge nos transes difíceis e horríveis como os dolorosos e negros dias da pandemia gripal."

Segundo me consta, essa história da Cruz Vermelha é destinada a socorrer feridos de guerra. Ora, o Brasil há muito tempo não se mete em guerra.

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