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Modas Femininas e Outras

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio2 min de leitura2 páginas

O começo

De uns anos a esta parte, eu não vejo a Avenida nem a Rua do Ouvidor com os olhos de cinco anos para trás. De forma que, sendo assim, não faço reparo nos "almofadinhas", "melindrosas", "entupidinhas" e outras criaturas que tan­to preocupam os nossos estetas de cinema.

Contudo leio-lhes as crônicas e fico admirado com o desvelo que têm em tratar dessas coisas de vestuário das moças com ares de que está lançando a excomunhão maior com au­xílio da fatal Grécia.

Quando menino, conheci até a anquinha, o tundá; e todos falavam mal dela ou dele, como imoral; entretanto, não deixava o tal adorno ver descoberta nenhuma parte do corpo. Ao contrário. Vieram o droit-devant ,a jupe-culotte e outras norteações da alma feminina e todos teimaram em encontrar nesses vestuários das damas provas de impudicícia, de des­pudor e outras coisas correlatas.

Eu não sei quando eles têm razão, se é quando estimam as mulheres ultradecotadas nos grandes bailes e teatros, ou se é quando acham isto indecente no meio da rua.

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