O Clube de Engenharia
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
Quem passa na Avenida, à tarde, ali, no canto dela com a Rua Sete de Setembro, encontra um portão largo, que, em arquitetura, tem um nome especial e duro, cheio de velhos gamenhos, derretidos em sorrisos para as mulheres que passam. Esses velhos aos quais se juntam alguns moços, ainda mais gamenhos, são engenheiros ou coisa parecida, e o lugar, a casa, o portão - tudo isso é o Clube de Engenharia.
É uma instituição ainda pior do que a Associação Comercial. E nela que se fazem, se ultimam, se homologam as maiores vergonhas administrativas do Brasil.
Não há judeu, cavador internacional que não lhe receba o patrocínio.
Têm eles sempre a seu dispor o prestígio do clube para dizer que a concessão que pedem, é maravilhosa, para o progresso do Brasil; que o nosso país vai ganhar muito com isto e que nós devemos fomentar a indústria particular. Mas, os favores que recebem, os privilégios, as apólices de juro-ouro, tudo o que pode onerar à totalidade da nação, não diz o clube. Precisamos recompensar o capital do… proteger os judeus.
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