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O Chefe Político e o Seu Eleitor

Lima Barreto (1881–1922)

ContosPolítica e sociedade4 min de leitura4 páginas

O começo

Seu doutor, eu vim incomodá-lo; mas precisava muito ficar bem com minha consciência.

— Que há?

— Eu não voto no doutor Rui.

— Como você vai votar no Epitácio?

— Nem num nem noutro.

— Você está ficando indisciplinado; não é mais o correligionário disciplinado de antigamente. Que diabo foi isso?

— Eu não tenho sido companheiro para você?

— Sim senhor. Devo ao doutor todos os obséquios desta vida, pelo que lhe sou muito agradecido. Foi o doutor que abaixo de Deus, salvou a Marocas, minha mulher, sem cobrar nada… Quando foi o enterro do meu filho Dodoca, o doutor me ajudou muito…

— Isso tudo não vem ao caso. Falemos…

— Não; vem sim, doutor! Quero que o senhor não pense que sou mal agradecido. Se estou empregado, devo ao dou­tor e…

— Se você continuasse no partido, podia subir ou nós ar­ranjávamos uma equiparação ou mesmo um aumento de venci­mentos; mas…

— Continuo no partido, doutor…

— Como? Você não vota conosco…

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