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Um Homem Perfeito (III)

Amadeu Amaral (?–1929)

Biografia e memórias5 min de leitura5 páginas

O começo

O Sr. João Cesário da Costa apareceu-me hoje muito loquaz e prazenteiro. Sentou-se a meu lado, palpou as minhas disposições auditivas, notou que eram boas, e deixou escapar a loqüela, primeiro às gotas espaçadas, depois às gotas que já quase se ligavam num fio, por fim jorro franco.

Principiou por falar do tempo, que estava "lindíssimo e convidativo." Daí deslizou para considerações acerca do nosso clima e do europeu, das nossas estações e das européias. Descambou então para o elogio da nossa "terna primavera" e da nossa "natureza exuberante". Isto o levou ao fatídico paralelo entre a natureza e o indígena; e Cesário revelou gravemente que, segundo a opinião de Humboldt, no Brasil tudo é grande, menos o homem.

Mostrei-me consternado por isso, e Cesário caiu no domínio da educação, cujo principal objetivo, no Brasil, devia consistir em debelar a empregomania, o bacharelismo e a macaqueação do estrangeiro. Quando chegamos ao ponto, o meu amigo, depois de ter passado pela política, ia bordando comentários em roda do vestido feminino e deplorando a subversão da família.

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