A Pulseira de Ferro
Amadeu Amaral (?–1929)
O começo — I
A verídica história que ides ler (lê-a-eis?) poderia resumir-se em cinco paginas, ou ainda menos. Acredito, porém, que a todas as histórias, sucedidas ou inventadas, o mesmo acontece. Acresce que, se uns as preferem breves, outros as preferem longas, bem longa…. É que uns amam nas histórias as próprias histórias, e não querem delas senão o que pedem à música um pouco de esquecimento e de embriaguez.
De seu lado, o oleiro nem sempre pode ter mão à roda (como lá diz padre Lucena) para que o vaso não saia maior de seu direito. E que importa, afinal, que a bilha seja grande ou pequena, se, de qualquer modo, é sempre enorme quando não se precisa dela, e sempre minúscula para matar mais que a sede de um dia?
Os casos narrados passam-se numa localidade da roça, e por isso a narrativa leva uns espórulos e uns espinhos nos vestidos e um pouco de barro nos sapatos. Não houve, entretanto, intenção regionalista. Nem houve outra qualquer intenção, a não ser a que move todos os contadores desinteressados de histórias, desde as boas negras velhas, que as contam à beira dos berços, até aqueles que piedosamente as contam à beira dos leitos mortuários.
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