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A Vaga da Academia

Lima Barreto (1881–1922)

Crônica e ensaio2 min de leitura2 páginas

O começo

Em matéria de eleições, parece que há quem queira em­parelhar a nossa Academia de Letras com os politiqueiros de Campo Grande ou Santa Cruz.

Foi ontem que morreu o barão Homem de Melo e, ao que parece, a academia ainda não declarou oficialmente que há uma vaga aberta em seu seio.

Entretanto, já apareceu um candidato - o que é extraordinário. Torna-o, porém, esquisito o fato de ser anunciado com tais e quais votos.

Não sabemos se tal coisa é verdade. Mas, lemos a notícia em um jornal de São Paulo, A Capital ,de 12 do cor­rente mês. Ei-la:

"Academia Brasileira de Letras - Rio. 12 - Afirma-se aqui, que, para a vaga do saudoso Barão Homem de Meio na Academia Brasileira de Letras, será eleito o Senhor Veiga Miranda, redator-chefe da edição paulista do Jornal do Co­mércio e festejado autor de Pássaros que fogem, Redenção e Mau Olhado .

"Dizem que o ilustre escritor, cujas obras já mereceram a crítica entusiástica de acadêmicos como Oliveira Lima, José Veríssimo, Mário de Alencar e João Ribeiro, terá os votos dos Senhores Félix Pacheco, Alcindo Guanabara, Afrânio Peí­xoto, Pedro Lessa, Coelho Neto, Luís Murat, Emilio de Me­neses, Magalhães Azeredo, Augusto de Lima, Ataulfo de Paiva, Antônio Austregésio, Oliveira Lima, Mário de Alencar, João Ribeiro, Silva Ramos, Afonso Celso, além de outros. Segundo cálculos aqui feitos, o Senhor Veiga Miranda terá mais de 25 votos, contando-se dentre eles o do Senhor Conselheiro Rui Barbosa."

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