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Pálida Elvira

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia22 min de leitura20 páginas

O começo

Ulysse, jeté sur les rives d'Ithaque, ne les reconnaît pas et pleure sa patrie. Ainsi l'homme dans le bonheur possédé ne reconnaît pas son rêve et soupire.

Daniel Stern.

Quando, leitora amiga, no ocidente / Surge a tarde esmaiada e pensativa; / E entre a verde folhagem rescendente / Languida geme viração lasciva; / E já das tênues sombras do oriente / Vem apontando a noite, e a casta diva / Subindo lentamente pelo espaço, / Do céu, da terra observa o estreito abraço;

Nessa hora de amor e de tristeza, / Se acaso não amaste e acaso esperas / Ver coroar-te a juvenil beleza / Casto sonho das tuas primaveras; / Não sentes escapar tua alma acesa / Para voar às lucidas esferas? / Não sentes nessa mágoa e nesse enleio / Vir morrer-te uma lágrima no seio?

Sentê-lo? Então entenderás Elvira, / Que assentada à janela, erguendo o rosto, / O voo solta à alma que delira / E mergulha no azul de um céu de Agosto; / Entenderás então porque suspira, / Victima já de um íntimo desgosto, / A meiga virgem, pálida e calada, / Sonhadora, ansiosa e namorada.

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