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Americanas

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia1 h 20 de leitura66 páginas

O começo — A Christã Nova

…… essa mesma foi levada / cativa para uma terra estranha.

Nahum, cap. iii, v. 10

PARTE I

Olhos fitos no céu, sentado à porta, / O velho pai estava. Um luar frouxo / Vinha beijar-lhe a veneranda barba / Alva e longa, que o peito lhe cobria,

Como a névoa na encosta da montanha / Ao destoucar da aurora. Alta ia a noite, / E silenciosa: a praia era deserta, / Ouvia-se o bater pausado e longo / Da sonolenta vaga, — único e triste / Som que a mudez quebrava à natureza.

Assim talvez nas solidões sombrias / Da velha Palestina / Um profeta no espirito volvera / As desgraças da pátria. Quão remota / Aquella de seus pais sagrada terra, / Quão diferente desta em que há vivido / Os seus dias melhores! Vago e doce, / Este luar não alumia os serros

Estereis, nem as últimas ruínas, / Nem as ermas planícies, nem aquele / Morno silêncio da região que fora / E que a historia de todo amortalhara. / Ó torrentes antigas! águas santas / De Cedron! Ja talvez o sol que passa, / E ve nascer e ve morrer as flores, / Todas no leito vos secou, em quanto / Estas murmuram placidas e cheias, / E vão contando às deleitosas praias / Esperanças futuras. Longo e longo / O devolver dos séculos / Sera, primeira que a memoria do homem / Teça a mortalha fria / Da região que inda tinge o albor da aurora.

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