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Contos e Histórias de Animais

Lima Barreto (1881–1922)

História8 min de leitura7 páginas

O começo

Os animais domésticos, domesticados e selvagens, sempre entraram em toda e qualquer literatura, quer na popular, quer na anônima, quer na pessoal e cultivada. Desde muito cedo que os homens se associaram aos animais para fazer a sua jornada na vida. Seja como simples companheiros, seja para sacrificá -los, a fim de obter alimento, eles sempre viveram entrelaçados aos sonhos e devaneios da humanidade. Comte incorporou, com aquela sua generosidade de filósofo pobre, orgulhoso e bom, certos animais à própria Humanidade; e Buda, o iluminado Çakia-Muni, não admitia o sacrifício de nenhum para sustento do homem.

Os paladinos, os altissonantes de alma e couraça, os "preux" esforçados das batalhas, dos combates singulares, das justas e torneios medievais, batizavam os seus ginetes de guerra com nomes flamejantes e significativos que ainda vivem na literatura e na memória dos homens. Reinaud de Montauban, um dos quatro filhos de Aymon, tem Bayard, o melhor corcel da cristandade; Rolando, o paladino dos paladinos, tem Neillantif, o "bon cheval courant" da sua imortal gesta; e todos os outros guerreiros de antanho possuem os seus "destriers" bem crismados e extremados da turbamulta dos cavalos anônimos. Os troveiros, os trovadores, os "clercs", que lhes contaram as façanhas nas festas, crônicas e…

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