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Histórias de Macaco

Lima Barreto (1881–1922)

História7 min de leitura6 páginas

O começo

O nosso macaco, com as suas parecenças humanas, tal e qual o vemos nas gaiolas e preso a correntes, é bem miúdo; mas tem tal ar de inteligência, é tão solerte e inquieto, que o povo não podia deixar de impressionar-se com ele e dar-lhe a máxima importância nas suas histórias de animais.

Certamente, as suas semelhanças com o homem não são bastante flagrantes como as dos grandes macacos da África e da Ásia. O chimpanzé, o gorila, o orangotango e o gibo, sobretudo este, possuem mais fortes traços comuns a eles e ao homem. O último desses macacos antropóides é até tido como bem próximo parente do "Pitecanthropus" do Sr. Dubois, que passa por ser o avô desaparecido do gênero humano. Todos esses macacões africanos, asiáticos e javaneses, porém, são fortíssimos e de uma robustez muito acima da do homem, por mais forte que seja. Não sei qual será a impressão que se tem deles, ao natural; mas a que possuo, pelas gravuras dos compêndios, é de ferocidade e bestialidade.

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