Questões de Maridos
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
— O subjetivo… o subjetivo… Tudo através do subjetivo, — costumava dizer o velho professor Morais Pancada.
Era um sestro. Outro sestro era sacar de uma gaveta dois maços de cartas para demonstrar a proposição. Cada maço pertencia a uma de duas sobrinhas, já falecidas. A destinatária das cartas era a tia delas, mulher do professor, senhora de sessenta e tantos anos, e asmática. Esta circunstância da asma é perfeitamente ociosa para o nosso caso; mas isto mesmo lhes mostrará que o caso é verídico.
Luísa e Marcelina eram os nomes das sobrinhas. O pai delas, irmão do professor, morrera pouco depois da mãe, que as deixou crianças; de maneira que a tia é quem as criou, educou e casou. A primeira casou com dezoito anos, e a segunda com dezenove, mas casaram no mesmo dia. Uma e outra eram bonitas, ambas pobres.
— Coisa extraordinária! disse o professor à mulher um dia.
— Que é?
— Recebi duas cartas, uma do Candinho, outra do Soares, pedindo… pedindo o quê?
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