Livros › Machado de Assis › Post-Facio

Capa de Post-Facio

Post-Facio

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Meu amigo. Agora que o leitor frio e severo pôde comparar o meu pobre livro com a tua critica benévola e amiga, deixa-me dizer-te rapidamente duas palavras.

Recordaste os nossos amigos, poetas na adolescência, hoje idos para sempre dos nossos olhos e da gloria que os esperava. Tão piedosa evocação será o palladium do meu livro, como o é a tua carta de recomendação.

Vai longe esse tempo. Guardo a lembrança dele, tão viva como a saudade que ainda sinto, mas já sem aquelas ilusões que o tornavam tão doce ao nosso espirito. O tempo não corre em vão para os que desde o berço foram condenados ao duelo infausto entre a aspiração e a realidade. Cada ano foi uma lufada que desprendeu da arvore da mocidade, não só uma alma querida, como uma ilusão consoladora.

A tua pena encontrou espressões de verdade e de sentimento para descrever as nossas confabulações de poetas, tão serenas e tão intimas. Tiveste o condão de transportar-me a essas praticas da adolescência poética; lendo a tua carta pareceu-me ouvir aqueles que hoje repousam nos seus túmulos; e ouvindo dentro de mim um ruido de aplauso sincero às tuas expressões, affigurava-se-me que eram eles que te aplaudiam, como no outro tempo, na tua pequena e faceira salinha.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Machado de Assis