Casos do Júri
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
Trabalhos de outra ordem e, mesmo, muita vagabundagem não me têm permitido coordenar e escrever as minhas impressões do júri.
Servi em mais de uma sessão; e longe de me aborrecer ficava satisfeito quando era sorteado.
Nunca vi nesse fato motivo para "paulificação" e tédio. Ao contrário: o espetáculo é variado e animado; e quem gosta de ver aspectos curiosos da vida, apreciar confrontos, encontra no júri material abundante. É muito diferente da repartição.
Tudo ali é interessante. O promotor tonitruante, o juiz amolado e o solerte escrivão de óculos não são só as figuras que merecem apreço.
Há ainda o advogado com o infalível Mittermaier, Garofalo, e entre autos de estudos criminais, citando-os a todo propósito, às vezes mesmo puras banalidades, que podiam ser ditas com a sua responsabilidade precisa, sem nenhum perigo.
Há o réu que, em curtas ocasiões, é um pobre-diabo de homem, levado ao crime e à geena da prisão devido às suas condições de vida e ao choque com a má gente que o cercava.
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