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Casos do Júri

Lima Barreto (1881–1922)

Contos8 min de leitura7 páginas

O começo

Trabalhos de outra ordem e, mesmo, muita vagabundagem não me têm permitido coordenar e escrever as minhas impressões do júri.

Servi em mais de uma sessão; e longe de me aborrecer ficava satisfeito quando era sorteado.

Nunca vi nesse fato motivo para "paulificação" e tédio. Ao contrário: o espetáculo é variado e animado; e quem gosta de ver aspectos curiosos da vida, apreciar confrontos, encontra no júri material abundante. É muito diferente da repartição.

Tudo ali é interessante. O promotor tonitruante, o juiz amolado e o solerte escrivão de óculos não são só as figuras que merecem apreço.

Há ainda o advogado com o infalível Mittermaier, Garo­falo, e entre autos de estudos criminais, citando-os a todo pro­pósito, às vezes mesmo puras banalidades, que podiam ser ditas com a sua responsabilidade precisa, sem nenhum perigo.

Há o réu que, em curtas ocasiões, é um pobre-diabo de homem, levado ao crime e à geena da prisão devido às suas condições de vida e ao choque com a má gente que o cer­cava.

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