O Príncipe Tatu
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
Das notas que andei tomando há anos, de histórias, contos, ditos, crendices de povo, conforme me contavam nos azares dos passeios e dos encontros, guardei uma: "História do Príncipe Tatu", que nunca vi escrita nem nunca ouvi narrada senão pela pessoa que ma pronunciara pela primeira vez. Foi ela uma senhora da minha vizinhança, a quem já aludi nestas rápidas notas e cujo nome talvez tenha demais vezes citado. Trata-se de D. Minerva Correia da Costa, natural de Valença e residente à rua Piauí, em Todos os Santos, nesta cidade.
É uma história complicada e longa, cheia de peripécias fantásticas e intervenções misteriosas, que não deixa de ter aquele fundo de todos os contos para crianças, de abnegação, de sacrifício primeiro, para afinal obter-se a felicidade completa. Abstenho-me de discutir se essa generalização é segura e se é útil. Não é caso para isso, pois não sou nem folclorista nem educador; mas, infelizmente, o povo parece não dar aos primeiros matéria para que os segundos organizem livros da Carochinha dignos e de acordo com os ideais da nossa atual sociedade. Antes de tudo, porém, convém notar que já dei uma redação minha a essa história do Príncipe Tatu. Publiquei-a, com muitos erros de revisão, numa…
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