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O Protocolo

Machado de Assis (1839–1908)

Teatro23 min de leitura20 páginas

O começo — CENA I CENA I

ELISA - Está meditando?

VENÂNCIO (como que acordando) - Ah! perdão!

ELISA - Estou afeita à alegria constante de Lulu, e não posso ver ninguém triste.

VENÂNCIO - Exceto a senhora mesma.

ELISA - Eu!

VENÂNCIO - A senhora!

ELISA - Triste, por que, meu Deus?

VENÂNCIO - Eu sei! Se a rosa dos campos me fizesse a mesma pergunta, eu responderia que era falta de orvalho e de sol. Quer que lhe diga que é falta de… de amor?

ELISA (rindo-se) - Não diga isso!

VENÂNCIO - Com certeza, é.

ELISA - Donde conclui?

VENÂNCIO - A senhora tem um sol oficial e um orvalho legal que não sabem animá-la. Há nuvens…

ELISA - É suspeita sem fundamento.

VENÂNCIO - É realidade.

ELISA - Que franqueza a sua!

VENÂNCIO - Ah! é que o meu coração é virginal, e portanto sincero.

ELISA - Virginal a todos os respeitos?

VENÂNCIO - Menos a um.

ELISA - Não serei indiscreta: é feliz.

VENÂNCIO - Esse é o engano. Basta essa exceção para trazer-me um temporal. Tive até certo tempo o sossego e a paz do homem que está fechado no gabinete sem se lhe dar da chuva que açoita as vidraças.

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