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O Pão de Ouro

Bernardo Guimarães (1825–1884)

Contos46 min de leitura41 páginas

O começo — Capítulo I

Antes de encetar a narração dos acontecimentos, que constituem o principal assunto desta história, cumpre-nos rememorar uma lenda, ou antes uma avença mítica dos primitivos e selváticos habitantes da terra americana, a qual, sem dúvida, é desconhecida da maior parte dos leitores.

Esta lenda, provavelmente ampliada e embelecida pela imaginação dos colonos portugueses, é a história da Mãe do Ouro, que passo a contar a meus leitores.

Era nos topes alterosos de uma das mais altas montanhas da América meridional.

Esses topes, por cima dos quais desdobravam-se risonhas planícies de verdor eterno e entrecortadas de córregos cristalinos, eram separados do resto da terra por despenhadeiros vertiginosos, que o pé humano em vão tentaria galgar, e eram somente acessíveis ao corvo e ao condor altivolante. E do meio dessas planícies erguia-se outra montanha coroada de enormes rochedos erguidos à prumo, como um castelo guarnecido de terrões denegridos e derrocados pelo tempo, ou como aéreo e colossal terraço, ornado de estátuas disformas, mutiladas e despedaçadas pelos raios.

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