Poesias (Bernardo Guimarães, 1865)
Bernardo Guimarães (1825–1884)
O começo — A Baia de Botafogo
I Golfo sereno que no teu regaço / A fronte espelhas de escalvados serros, / E soluçando pelas curvas praias / Límpidas ondas preguiçoso estiras; / Vales sombrios de perene esmalte, / Que em caprichosos giros coleando / Vos escondeis nas dobras da montanha / Entre muralhas de empinadas rochas; / Lindas encostas, cômoros viçosos, / Que o rico manto de verdura e flores / Alardeais à luz de um céu formoso; / Negros penhascos, arrojados píncaros, / Que mergulhais as enrugadas frontes / De luz dourada em vislumbrante pego; / Dizei, não éreis vós mansão querida / Do gênio, que Deus pôs guardando a entrada / Das vastas solidões americanas? / Não era aqui seu templo?… estes penedos / Que se perdem…
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