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A Origem do Mênstruo

Bernardo Guimarães (1825–1884)

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

De uma fábula inédita de Ovídio, achada nas escavações de Pompéia e vertida em latim vulgar por Simão de Nuntua.

‘Stava Vênus gentil junto da fonte / Fazendo o seu pentelho, / Com todo o jeito, p’ra que não se ferisse / Das cricas o aparelho.

Tinha que dar o cu naquela noite / Ao grande pai Anquises, / O qual, com ela, se não mente a fama, / Passou dias felizes…

Rapava bem o cu, pois resolvia, / Na mente altas ideias: / — Ia gerar naquela heroica foda / O grande e pio Enéias.

Mas a navalha tinha o fio rombo, / E a deusa, que gemia, / Arrancava os pentelhos e, peidando, / Caretas mil fazia!

Nesse entretanto, a ninfa Galatéia, / Acaso ali passava, / E vendo a deusa assim tão agachada, / Julgou que ela cagava…

Essa ninfa travessa e petulante / Era de gênio mau, / E por pregar um susto à mãe do Amor, / Atira-lhe um calhau…

Vênus se assusta. A branca mão mimosa / Se agita alvoroçada, / E no cono lhe prega (oh! caso horrendo!) / Tremenda navalhada.

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