Livros › Bernardo Guimarães › Elixir do Pajé

Capa de Elixir do Pajé

Elixir do Pajé

Bernardo Guimarães (1825–1884)

Poesia4 min de leitura4 páginas

O começo

Lasciva est nobis pagina, vita proba.

Que tens, caralho, que pesar te oprime / Que assim te vejo murcho e cabisbaixo, / Sumido entre essa imensa pentelheira, / Mole, caindo pela perna abaixo?

Nessa postura merencória e triste, / Para trás tanto vergas o focinho, / Que eu cuido vais beijar, lá no traseiro, / Teu sórdido vizinho!

Que é feito desses tempos gloriosos / Em que erguias as guelras inflamadas, / Na barriga me davas de contínuo / Tremendas cabeçadas?…

Qual hidra furiosa, o colo alçando, / Co´a sanguinosa crista açoitas os manes, / E sustos derramando

Por terras e por mares, / Aqui e além atira mortais botes, / Dando co’a cauda horríveis piparotes, / Assim tu, ó caralho, / Erguendo o teu vermelho cabeçalho, / Faminto e arquejante, / Dando em vão rabanadas pelo espaço, / Pedias um cabaço!

Um cabaço! Que era este o único esforço, / Única empresa digna de teus brios; / Porque surradas conas e punhetas / São ilusões, são petas, / Só dignas de caralhos doentios.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Bernardo Guimarães