Livros › Machado de Assis › O Teles e o Tobias

Capa de O Teles e o Tobias

O Teles e o Tobias

Machado de Assis (1839–1908)

Contos37 min de leitura33 páginas

O começo — I

Empreendo uma Ilíada .

Canta, ó musa, a cólera do juiz de paz Manoel Tobias e do subdelegado Chico Teles!

Naquele tempo, antes dos movimentos políticos de 1848, que deram em terra com um partido, e fizeram subir outro, que mais tarde caiu, por sua vez, como acontece no sistema representativo, viviam em paz, na pequena vila de ***, o subdelegado Chico Teles e o juiz de paz Manoel Tobias.

Ambos eram compadres, e tinham nisso a razão da aliança doméstica, e chefes do mesmo partido, e era esse o motivo da aliança política. Somente, como naquela vila não havia outro partido, eles vinham a ser os senhores da vila, os chefes daquela orquestra passiva e submissa.

De quatro em quatro anos fazia-se uma eleição; Manoel Tobias era sempre o primeiro juiz de paz… por unanimidade; os três outros eram criaturas nulas, sem influência, nem iniciativa, de modo que durante o quatriênio só havia um juiz de paz de fato: Manoel Tobias. Este tinha, portanto, uma influência perpétua. Quanto ao Chico Teles, cuja posição oficial dependia do executivo, tinha conseguido perpetuar-se no cargo, batendo palmas a todos os ministérios, a todos os presidentes da província e a todos os chefes de polícia.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Machado de Assis