Remissão de Pecados
Joaquim Manuel de Macedo (?–1882)
O começo — I
Sala muito modesta; mesa com candeeiro a querosene; sofá; porta à esquerda, abrindo para aposentos interiores; outra à direita, comunicando com a sala de jogo; portas ao fundo, que abrem para a sala principal que, apenas se vê e onde há piano no qual se ouve tocar e cantar.
BRÁULIO, vindo da direita, FÁBIO, entrando pelo fundo.
FÁBIO (Para a sala do fundo.) – Cante muito; a sua voz dá-me felicidade (A Bráulio.) Como vai a sessão?… (Conversam ambos à meia voz.)
BRÁULIO – Ameaçando tempestade: as cartas arranjaram-se e d. Donaldo na primeira tripa fez maravilhas: a segunda tripa começou agora.
FÁBIO – As cartas falhas são pois quatro, seis e o rei…
BRÁULIO – E nos baralhos novos, se os pedirem, passam a ser três, dama, e, principalmente, sete e às.
FÁBIO – Sei: e além de mim e do capitão há mais feitos?…
BRÁULIO – Nenhum: não convém estender a confiança mesmo entre os cavalheiros honrados, alguns têm o defeito de dar à língua por gabolice.
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