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Luxo e Vaidade

Joaquim Manuel de Macedo (?–1882)

Teatro1 h 40 de leitura85 páginas

O começo — I

Sala, ornada com esmero e luxo; portas, ao fundo e aos lados, dando comunicação para o exterior e para o interior da casa.

Fanny, que entra pelo lado direito; Petit, que ao mesmo tempo aparece à porta do fundo.

Petit (Suspirando) - Miss Fanny!

Fanny (Estremecendo) - Ah!…monsieur Petit! Ficar muite sustade…este non se use n'Ingliterre.

Petit - Oh! non tem que assusta; eu venha aproveitar momento deliciose de conversa sozinha com miss Fanny em uma tête-à-tête impreciável.

Fanny - Mim ficar muite envorganhade com este conversacion.

Petit - Oh! miss Fanny, non tem vergonha!vergonha non presta por nada: gente que tem vergonha, non sabe arranja sua vida. (Olhando para dentro) Onde está as senhoras?

Fanny - Poder estar segura: madame fique sentada de fronte de toucador, e pinta suas cabelinhas brancas; e mademoiselle estar no janela de sala grande olhando repagão barbude do sobrado de esquina.

Petit - E senhor Maurício estar em sue gabinete lendo contas de despesa e roendo as unhas: então nosso tête-à tête se prolongue dues hores; porque madame tem muito que pinta, mademoiselle muito que olhe, e senhor Maurício muito que róe.

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