
As Victimas-Algozes
Joaquim Manuel de Macedo (?–1882)
O começo — I/Aos nossos leitores
Queremos agora contar-vos em alguns romances histórias verdadeiras que todos vós já sabeis, sendo certo que em as já saberdes é que pode consistir o único merecimento que por ventura tenha este trabalho; porque na vossa ciência e na vossa consciência se hão de firmar as verdades que vamos dizer.
Serão romances sem atavios, contos sem fantasias poéticas, tristes histórias passadas à nossos olhos, e à que não poderá negar-se o vosso testemunho.
Não queremos ter segredos, nem reservas mentais convosco.
É nosso empenho e nosso fim levar ao vosso espirito e demorar nas reflexões e no estudo da vossa razão factos que tendes observado, verdades que não precizam mais de demonstração obrigando-vos deste modo à encarar de face, à medir, à sondar em toda sua profundeza um mal enorme que afeia, infecciona, avilta, deturpa e corroe à nossa sociedade, e à à que a nossa sociedade ainda se apega semelhante a desgraçada mulher que, tomando habito da prostituição, à ela se abandona com indecente desvario.
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