O Segredo de Augusta
Machado de Assis (1839–1908)
O começo — I
São onze horas da manhã.
D. Augusta Vasconcellos está reclinada sobre um sofá, com um livro na mão. Adelaide, sua filha, passa os dedos pelo teclado do piano.
— Papai já acordou? pergunta Adelaide à sua mãe.
— Não, resdonde esta sem levantar os olhos do livro.
Adelaide levantou-se e foi ter com Augusta.
— Mas é tão tarde, mamãi, disse ela. São onze horas. Papai dorme muito.
Augusta deixou cair o livro no regaço, e disse olhando para Adelaide:
— É que naturalmente recolheu-se tarde.
— Reparei já que nunca me despeço de papai quando me vou deitar. Anda sempre fora.
Augusta sorrio.
— És uma roceira, disse ela; dormes com as galinhas. Aqui o costume é outro. Teu pai tem que fazer de noite.
— É politica, mamãi? perguntou Adelaide.
— Não sei, respondeu Augusta.
Comecei dizendo que Adelaide era filha de Augusta, e esta informação, necessária no romance, não o era menos na vida real em que se passou O episódio que vou contar, porque à primeira vista ninguém diria que havia ali mãe e filha; pareciam duas irmãs, tão jovem era a mulher de Vasconcellos.
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