Crítica Variada - Diário do RJ
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Será alguma vez tarde para falar de uma obra útil? Tenho que não, e se o público é do mesmo parecer, certamente me desculpará, julgando, como eu, que ainda não é tarde para falar do Compêndio da Gramática Portuguesa dos Srs. Pertence e Vergueiro.
Sou dos menos competentes para avaliar pelo justo e pelo miúdo a importância e superioridade de uma gramática. Esta franqueza não me tolhe de escrever as impressões recebidas por alto, e habilita-me a não dar conta da pobreza e nudez de minha frase.
Sempre achei que uma gramática é uma coisa muito séria. Uma boa gramática é um alto serviço a uma língua e a um país. Se essa língua é a nossa, e o país é este em que vivemos, o serviço cresce ainda e a empresa torna-se mais difícil. Quando se consegue o resultado alcançado pelos Srs. Pertence e Vergueiro tem-se dado material para a estima e a admiração dos concidadãos.
Há na gramática dos Srs. Pertence e Vergueiro aquilo que é necessário às obras desta natureza, destinadas a estabelecer no espírito do aluno as regras e as bases, sobre as quais se tem de assentar a sua ciência filológica: o método do plano e a limpidez e concisão das definições.
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.