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Eu Tinha Meu Boi-Espácio

Sílvio Romero (?–1914)

Religião e mito3 min de leitura2 páginas

O começo

Eu tinha meu Boi-Espácio, / Qu'era meu boi corteleiro, / Que comia em três sertão, / Bebia na Cajazeira, / Malhava lá no oiteiro, / Descansava em Riachão. / Eu tinha meu Boi-Espácio, / Meu boi preto caraúna; / Por ter a ponta mui fina, / Sempre fui botei-lhe a unha. / Estava na minha casa, / Na minha porta assentado;. / Chegou seu Antonio Ferreira, / Montado no seu rução.

Com o irmão de Damião. / Montado no seu lazão; / Dizendo de coração: / —— Botai-me este boi no chão. / Gritei pelo meu cachorro, / Meu cachorro Tubarão: / "Agora, meu boi, agora, / Faz ato de contrição! / Ecô, meu cachorro ecô!…" / No curral da Piedade / Eu dei com meu boi no chão. / Ao depois do boi no chão, / Chegou o moleque João, / Se arrastando pelo chão, / Fazendo as vezes de cão, / Pedindo o sebo do boi / Pra temperar seu feijão. / A morte deste meu boi / A todos fizera pena; / Ao depois deste boi morto / Cabou-se meu boi, morena. / "No ano em que eu nasci, / No outro que me criei, / No outro que fui bezerro, / No outro que fui mamote, / No outro que fui garrote, / No outro que me…

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