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ABC do Boi-Prata

Sílvio Romero (?–1914)

Religião e mito2 min de leitura2 páginas

O começo

A dois de agosto de quarenta e quatro / Nasci no Saco da Ema; / Bebi na lagoa grande, / E malhei lá na Jurema.

Bebia bem assustado / Com o medo de meu dono, / Passava noites a andar / Sem saber o que era sono.

Como desenganou-se o meu dono / De acompanhar a carreira, / Foi chamar o João de Souza / Da fazenda da Ladeira.

Deu este sua carreira / Em cima do melado, / Mais adiante um pouco, / Gritou: — Estou enganado.

Ele disse bem vexado / E todo se tremendo: / — Aqui sumiu-se o garrote, / O rasto não estou mais vendo.

Foi voltando para trás / Bastante desconcertado, / Por ter perdido a carreira / No seu cavalo melado;

Grande pena a de meu dono / Do Souza vendo a chegada; / Perguntou com muita pressa: / Cadê os seus camaradas?

Indo este um pouco calado / Sem poder contar a história, / Disse com fé o meu dono: / — Espero ainda a vitória.

I fizeram nova entrada, / Zé de Souza no pedrezão; / João de Souza foi gritando: / — Lá está o barbatão.

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