
A Filosofia no Brasil: Ensaio Crítico
Sílvio Romero (?–1914)
O começo
Nestas projetadas publicações hão de aparecer capítulos inteiros, nos livros de critica, e cantos inteiros, nos de poesia, de todo inéditos. Foram, porém, escritos no período prenotado, e entram plenamente no domínio da primeira fase da vida literária do autor.
No processo de revisão, agora executado, nenhuma só ideia foi abandonada ou simplesmente refeita ou ampliada. Oriundos de uma preparação preliminar, um tanto rigorosa, todos esses escritos se apresentam de novo firmados na mais inteira sinceridade, e visando, como dantes, o alvo que o autor não esconde: uma renovação literária entre nós.
Rio be Jàneibo, Julho de 1876.
A Philosophia no Brasil.
I.*)
Pode-se affiraar, em virtude da indagação histórica, que a filosofia, nos três primeiros séculos de nossa existência, nos foi totalmente estranha. .
As dissençoes e lutas dos pensadores desses tempos não mandaram um eco só até cá. Os trabalhos de Bacon, Descartes, Gassendi, Leibnitz, Spinoza, Malebranche, Berckeley, Locke, Hume, Condillac, Wolf e Kant foram, em sua época, como inexistentes para nós: O fato é de uma explicação mui clara: o abandono da colônia e, ainda mais, o atraso da metrópole, para a qual aqueles nomes passaram desapercebidos, fornecem a razão do fenômeno.
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