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Capa de A Mandinga

A Mandinga

João Simões Lopes Neto (?–1916)

Direito1 h 50 de leitura104 páginas

O começo — I

No espesso nevoeiro daquela madrugada de junho — uma sexta-feira — muito enrolado na sua capa, de gola alta — chapéu mole desabado — e de sapatos de verniz — de laçarotes pretos — ia — rápido o Elesbão Soares e ao que parecia — único na rua solitária.

Amortecida na bruma — a luz dos lampiões formava uma como auréola — avermelhada tristonha e baça — o que acrescentava o isolamento do retardatário — que sem poder alongar o olhar — apenas tinha e vagamente o consolo de distinguir — sem lhes perceber as particularidades — alguns edifícios cuja arquitetura, cores, letreiros e até números conhecia.

E evidentemente o homem ia preocupado, porque resmungava — resmungava — sumido o rosto nas dobras da capa.

Quis fumar, puxou do bolso um cigarro; não encontrando fósforos — atirou-o — longe de mau humor — de encontro a uma parede.

Tomando a calçada da praça — contornou uma parte do gradil, e entrando por uma das ruas que descem para a Várzea, indo — indo perdeu-se de todo no nevoeiro e na escuridão — fazendo apenas ouvir — mais e mais enfraquecido — o bater compassado dos tacões dos seus sapatos de verniz de laçarotes pretos.

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