Casos do Romualdo
João Simões Lopes Neto (?–1916)
O começo — I
Certa hora de pleno dezembro, por véspera do Natal, estava eu desassossegadamente abanando os mosquitos, quando, por mão de alto e grave sujeito, chegou-me um pacote, atado em cruz por cadarço listado; farta placa de lacre fechava a laçada do atilho, nem endereço nem sinete.
— Mandam-lhe!
Assim disse e logo saiu o imperturbado bípede.
Fiz - há! - solertemente e estendi a mão, tomando o volume, trégua foi para os mosquitos, que apertaram as evoluções e o zumbir.
Mas logo, mirado o pacote e o seu anonimato, despontou a dúvida, o receio, a inconveniência de um engano, uma troca…
Verificar, lógico, o verificar impunha-se.
— Oh! senhor?!… clamei.
O senhor sumira-se; nem sombra dele nem rastro; dobrara a esquina…, sumira-se, era o certo.
Pois…
Se fora a desfiar ponderações sobre a interrogante - e muda - expectativa, não bastaria a hora, aquela, de pleno dezembro, por véspera do Natal, etc. etc.
Fui-me ao laçarote: o lacre o impediu de correr, quebrei o lacre e ainda o laçarote não correu…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.