A Chimarrita
João Simões Lopes Neto (?–1916)
O começo
Vou cantar a Chimarrita / Que hoje ainda não cantei; / Deus lhes dê as boas noites, / Que hoje ainda não lhes dei.
Vou cantar a Chimarrita / Que uma moça me pediu; / Não quero que a moça diga: / Ingrato! Não me serviu.
A Chimarrita que eu canto, / Veio de cima da Serra, / Rolando de galho em galho / Até chegar nesta terra!
Chimarrita quando nova, / Uma noite me atentou… / Quando foi de madrugada / Deu de rédea e me deixou!
A Chimarrita é uma velha / Que mora no faxinal / Comendo a triste canjica / E grão de feijão sem sal.
Chimarrita é mulher pobre, / Já não tem nada de seu; / Só tem uma saia velha / Que a sogra lhe deu.
Chimarrita no seu tempo / Já muito potro domou: / Agora quer uma sotreta, / Nem um rodilhudo achou!
Chimarrita é altaneira, / Não quebra nunca o corincho: / Diz que tem trinta cavalos, / E não tem nem um capincho.
Chimarrita diz que tem / Dois cavalinhos lazões: / Mentira da Chimarrita, / Não tem nada, nem xergões!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.