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A Chimarrita

João Simões Lopes Neto (?–1916)

Religião e mito2 min de leitura2 páginas

O começo

Vou cantar a Chimarrita / Que hoje ainda não cantei; / Deus lhes dê as boas noites, / Que hoje ainda não lhes dei.

Vou cantar a Chimarrita / Que uma moça me pediu; / Não quero que a moça diga: / Ingrato! Não me serviu.

A Chimarrita que eu canto, / Veio de cima da Serra, / Rolando de galho em galho / Até chegar nesta terra!

Chimarrita quando nova, / Uma noite me atentou… / Quando foi de madrugada / Deu de rédea e me deixou!

A Chimarrita é uma velha / Que mora no faxinal / Comendo a triste canjica / E grão de feijão sem sal.

Chimarrita é mulher pobre, / Já não tem nada de seu; / Só tem uma saia velha / Que a sogra lhe deu.

Chimarrita no seu tempo / Já muito potro domou: / Agora quer uma sotreta, / Nem um rodilhudo achou!

Chimarrita é altaneira, / Não quebra nunca o corincho: / Diz que tem trinta cavalos, / E não tem nem um capincho.

Chimarrita diz que tem / Dois cavalinhos lazões: / Mentira da Chimarrita, / Não tem nada, nem xergões!

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