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Incorrigível

Machado de Assis (1839–1908)

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O começo

A igreja ficava perto. D. Leocádia vestiu-se e dirigiu-se para lá.

Quem visse essa bela viúva de trinta e dois anos, magra, alta, corada, sem nenhuma cor de tristeza no aspecto, menos ainda de ascetismo, muito adornada de rendas, que, posto que roxas, pareciam feitas para a mais virginal das criaturas — não acreditaria que ela ia buscar à igreja, não digo uma consolação, que é pouco, mas um refúgio e uma força.

Pois ia. Meia hora antes tinha recebido uma carta de outra pessoa, moça de vinte e sete anos e solteira. A carta era de cólera e produziu cólera. Pelo assunto? Não; não era pelo assunto, que não passava de um simples desacordo sobre não sei que história de teatro lírico. Então, pelos termos? Entendamo-nos, os termos eram duros, mas não eram a causa. A causa jazia em ambas, eram os belos olhos de um cavalheiro que ambas cobiçavam e que as cortejava ao mesmo tempo. Nenhuma delas o declarou nunca à outra; mas ambas sentiam-se inimigas. Uma e outra pegaram do primeiro pretexto que lhes ficou à mão, e trocaram muitas palavras cruas e decisivas.

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