Antes da Missa
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
entra com um livro de missa na mão; D. BEATRIZ vem recebê-la. ) D. BEATRIZ. Ora esta! Pois tu, que és a mãe da preguiça,
Já tão cedo na rua! Onde vais?
D. LAURA. Vou à missa;
A das onze, na Cruz. Pouco passa das dez;
Subi para puxar-te as orelhas. Tu és
A maior caloteira…
D. BEATRIZ. Espera; não acabes.
O teu baile, não é? Que queres tu? Bem sabes
Que o senhor meu marido, em teimando, acabou.
"Leva o vestido azul" — "Não levo" — "Hás de ir" — "Não vou".
Vou, não vou; e a teimar deste modo, perdemos
Duas horas. Chorei! Que eu, em certos extremos,
Fico que não sei mais o que fazer de mim.
Chorei de raiva. Às dez, veio o tio Delfim;
Pregou-nos um sermão dos tais que ele costuma,
Ralhou muito, falou, falou, falou… Em suma,
(Terás tido também essas coisas por lá)
O arrufo terminou entre o biscoito e o chá.
D. LAURA. Mas a culpa foi tua. D. BEATRIZ. Essa agora! D. LAURA. O vestido
Azul… É o azul-claro? aquele guarnecido
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