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Nos Campos (Guilherme de Azevedo)

Guilherme de Azevedo (?–1882)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

A fragrância do trevo o das flores selvagens / Da noite embalsamava as tepidas bafagens: / Ao longe os astros bons olhavam-nos dos céus. / O mundo era um altar; as serras grandes aras; / E os cânticos da paz corriam nas searas / Em honra do bom Deus.

No solene silencio imersa ia minha alma / Em tranquila mudez; naquela doce calma / Que sente germinar os frescos vegetais. / De súbito uma voz deixou-me um pouco extático: / Detive-me um momento; olhei:—era o viatico! / De noite a horas tais,

Que andava Deus fazendo, assim, pela campina, / Trazido pela mão de um padre sem batina / Roubado às sensações de um longo resonar? / Fui seguindo o cortejo até que numa choça / O Rei dos reis entrava: o padre, com voz grossa, / Movia-se a rezar.

Nos restos de uma enxerga, ali, no vil cazebre, / Um pobre cavador, mordido pela febre, / Torcia as grossas mãos nas ânsias do estertor; / E os filhos semi-nus sentindo a pena ignota / Tentavam-se esconder na velha saia rota / Da mãe louca de dor!

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