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A Cristo

Guilherme de Azevedo (?–1882)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Precisamos Jesus, se não te sentes velho, / Que cinjas novamente o resplendor de luz / E venhas explicar a letra do evangelho / A muitos que hoje vês prostrados ante a cruz!

Ainda não cessou, de todo, essa contenda / Que um dia, há muito já, tentaste debelar: / E aqueles que são bons e adoram tua lenda / Desejavam também ouvir-te hoje falar.

Apenas resoasse o teu verbo indignado, / O latego febril das grandes corrupções, / Iria atrás de ti um mundo revoltado / Que sente na consciência a luz das redempções.

E embora não houvesse, aqui, outra alma gêmea / Da tua, e tão ungida em balsamos dos céus, / Havias dencontrar essa alma de bohemia / Que sonha uma justiça e sente em si um Deus!

Mas não, não voltes cá: teu corpo combalido / Não pode suportar os gelos da manhã. / Precisavas de pão, dabrigo e de vestido / E a vida aqui é cara e longo o macadam!

Terias dencontrar, de certo, mil estorvos / No mundo revolvido, e escuta-me Jesus: / Se não fosses, em fim, comido pelos corvos / Talvez te fuzilasse um cura Santa-Cruz!

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