Literatura Militante
Lima Barreto (1881–1922)
O começo
Conheci O Sr. Carlos Malheiro (eu queria por o s) há dias, por apresentação de João Luso.
Tive a mais bela impressão e o Sr. Carlos M. Dias pode ficar certo de que a ideia que eu fazia dele era muito diferente.
Acreditava-o um literato janota, desses das montras para uso das damas alambicadas; e o notável romancista que aprecio e admiro, surgiu-me como a pessoa mais simples deste mundo.
Falou-se muito naturalmente e o homem que eu pensava ter todo o escrúpulo em trocar quatro palavras comigo, em plena via pública, pareceu-me querer que me demorasse com ele a conversar. Agradecido.
A vida tem dessas coisas; e, diz o povo, que não há como os homens conversarem, para se entenderem.
Espero, justamente, que ele não leve a mal uns reparos que vou fazer sobre um seu recente artigo no O País intitulado - À margem do último livro de Anatole France.
O que me feriu logo nele foi o primeiro período. Diz o autor da Paixão de Maria do Céu:
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