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O Grito do Ipiranga

Machado de Assis (1839–1908)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Liberdade!… Pharol divinisado! — / Sob o teu brilho a humanidade e os séculos / Caminhão ao porvir. Roma as algemas / Quebrou dos filhos que a opressão lançára / Dentre a sombra de purpura dos Cesares, / Que envolvia Tarquinio em fogo e sangue, / Cheia de tua luz e estimulada / Por teu nome divino — essa palavra / Immensa como as vozes do Oceano, / Sublime como a ideia do infinito! / Tal como Roma a terra americana, / Um dia alevantando ao sol dos trópicos / A fronte que domina os estandartes, / Saudou teu nome majestoso e belo — / E o brado imenso — Independencia ou morte — / Soltado lá das margens do Ypiranga, / Foi nos campos soar da eternidade.

Desenrola nas turbas populares / Dos livres a bandeira o herói tão nobre, / Digno dos louros festivais que outrora / Roma dava aos heróis entre os aplausos

Do povo que os levava ao Capitolio! / Ele foi como o Cesar de Marengo; / Sua voz como a lava do Vesuvio / Levada pela voz da imensidade / Foi do Téjo soar nas margens, onde / Estremeceu de susto o lusitano!

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