O Melhor Remédio
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
O que se vai ler passa-se num bond. D. CLARA está sentada ; vê D. AMÉLIA que procura um lugar ; e oferece-lhe um ao pé de si .
D. CLA. Suba aqui, Amélia. Como passa?
D. AMÉ. Como hei de passar?
D. CLA. Doente?
D. AMÉ. ( suspirando ) Antes fosse doente!
D. CLA. ( com discrição ) Que aconteceu?
D. AMÉ. Coisas minhas! Você é bem feliz, Clara. Digo muita vez comigo que você é bem feliz. Realmente, eu não sei para que vim ao mundo.
D. CLA. Feliz, eu? ( Olhando melancolicamente para as borlas do leque ) Feliz! feliz! feliz!
D. AMÉ. Não tente a Deus, Clara. Pois você quer comparar-se a mim nesse particular? Sabe por que é que saí hoje?
D. CLA. E eu por que é que saí?
D. AMÉ. Saí, porque já não posso com esta vida: um dia morro de desespero. Olhe, digo-lhe tudo: saí até com ideias… Não, não digo. Mas imagine, imagine.
D. CLA. Fúnebres?
D. AMÉ. Fúnebres. Sou nervosa, e tenho momentos em que me sinto capaz de dar um tiro em mim ou atirar-me de um segundo andar. Imagine você que o senhor meu marido teve ideia… Olhe que isto é muito particular.
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