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O Melhor Remédio

Machado de Assis (1839–1908)

Contos5 min de leitura4 páginas

O começo

O que se vai ler passa-se num bond. D. CLARA está sentada ; vê D. AMÉLIA que procura um lugar ; e oferece-lhe um ao pé de si .

D. CLA. Suba aqui, Amélia. Como passa?

D. AMÉ. Como hei de passar?

D. CLA. Doente?

D. AMÉ. ( suspirando ) Antes fosse doente!

D. CLA. ( com discrição ) Que aconteceu?

D. AMÉ. Coisas minhas! Você é bem feliz, Clara. Digo muita vez comigo que você é bem feliz. Realmente, eu não sei para que vim ao mundo.

D. CLA. Feliz, eu? ( Olhando melancolicamente para as borlas do leque ) Feliz! feliz! feliz!

D. AMÉ. Não tente a Deus, Clara. Pois você quer comparar-se a mim nesse particular? Sabe por que é que saí hoje?

D. CLA. E eu por que é que saí?

D. AMÉ. Saí, porque já não posso com esta vida: um dia morro de desespero. Olhe, digo-lhe tudo: saí até com ideias… Não, não digo. Mas imagine, imagine.

D. CLA. Fúnebres?

D. AMÉ. Fúnebres. Sou nervosa, e tenho momentos em que me sinto capaz de dar um tiro em mim ou atirar-me de um segundo andar. Imagine você que o senhor meu marido teve ideia… Olhe que isto é muito particular.

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