Diana
Machado de Assis (1839–1908)
O começo
Em certo dia do mês de março do ano da graça de 1868 encontravam-se na Rua do Ouvidor, cidade do Rio de Janeiro, dois rapazes, ambos acompanhados de um criado carregando as respectivas malas.
— Luís!
— Alberto!
— Que é isso?
— A que horas chegas!
— Não pôde ser mais cedo. Venho do caminho de ferro neste momento. Mas tu, chegas também de Minas, ou partes para lá?
— Não chego nem vou para lá. Vou para o Rio Grande. Está a sair o vapor.
— Que volta tão repentina é essa?
— Assim é preciso.
— Isto só pelo diabo. Se eu soubesse de semelhante coisa tinha vindo mais cedo.
— De lá te escreverei. Adeus!
— Adeus!
E os dois amigos, depois de se abraçarem, separaram-se, tomando um para a hospedaria, outro para a Praia dos Mineiros.
Alberto foi fazendo consigo as reflexões seguintes:
— Que diabo leva o Luís ao Rio Grande tão repentinamente? este rapaz tem o juízo a arder…
Tempos depois Alberto recebia a seguinte carta de Porto Alegre, escrita pelo amigo Luís.
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